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(MÊS DE MARÇO – DATA DE NASCIMENTO E DE MORTE DE J. COMBLIN)

 

ROMARIA A SANTA FÉ DE IBIAPINA (Solânea, Pb)

(09, 10 e 11 de Março de 2018)

 

Dom Sebastião Armando Gameleira Soares

Bispo da Igreja Anglicana do Brasil

 

Junto com minha mulher Madalena, Assistente Social, e nosso filho mais novo, Rafael, saímos de Caruaru (Pe), em peregrinação a Santa Fé. Havia estado lá pela primeira vez nos funerais do querido Padre Comblin. Agora, com mais tempo, foi possível perceber a grandiosidade daquela central da Caridade, surgida da santidade do Padre Mestre. Graças a Deus que Comblin e Eduardo Hoornaert nos têm ajudado a perceber a grandeza e a originalidade de Ibiapina, “o missionário do Nordeste”. Sua personalidade, marcada pela escolha divina, o levou a empatia profunda com o povo pobre e sofrido da região. Por ser juiz e deputado, logo percebeu como a Justiça e a Política eram instrumentos de opressão e de desilusão do povo. Por isso, já com mais de quarenta anos de idade, escolheu o caminho do sacerdócio como a vereda de entrega de sua vida. Em meio ao Catolicismo tradicional e a suas alianças com a classe dominante, sentiu com clareza por onde “viaja” o Evangelho de Jesus de Nazaré, na direção dos pobres e abandonados, de órfãos, enjeitados e viúvas, de enfermos e gente desprezada pelos grandes deste mundo. Sua decisão foi radical e o tomou completamente: “Fiz da Caridade o centro de minha vida”. Hoje, diríamos que foi sua maneira de compreender a “opção fundamental pelos pobres”.

 

Rodeado de beatas e beatos, criou um modelo novo de vida consagrada a Deus, respondendo, assim, aos desejos da fé de mulheres e homens pobres, e desenvolveu um jeito novo de “missão popular”: a Palavra e o Sacramento radicalmente associados à ação de restauração da Vida. Por isso, já não se tratava mais de “desobriga” (quando o padre chega para confessar, dar a comunhão, pregar, receber espórtulas e vai embora... modelo ainda hoje vigente, mesmo quando “retocado”, deixando o povo abandonado como antes). Já não era mais desobriga, “fazer missão” se tornava refazer os gestos de Jesus: consolar gente aflita, curar enfermidades, cuidar de pessoas feridas e abandonadas, organizar o povo em mutirão para construir cemitérios, açudes, “casas de caridade” para abrigar órfãos e viúvas, construir capelas, sinal visível da presença de Deus no meio dos mais pobres... Toda essa santa memória como que “se levanta” (o mesmo verbo “levantar” significa “ressuscitar”) das pedras brancas de Santa Fé e nos interroga sobre nosso hoje, o compromisso de “reunir e organizar o povo em mutirão” para que, organizado, reencontre seu destino na Igreja de Jesus e neste país.

 

Subimos a serra com a antiga sensação de quem “sobe à cidade santa”, carregando no peito o desejo de cantar “os salmos de subida” (os “Cânticos das Subidas” começam no Salmo 120 até 134). Que maravilha! Mais de trezentas pessoas dispostas a viver uma experiência de fé, de comunidade, de organização popular e de democracia: bispos, padres, freiras, monges, mulheres e homens de regiões e origens diversas, mais pobres e menos pobres, até pastores e pastoras batistas e nós anglicanos, todas e todos em aliança solidária na busca de um mundo novo, gente “em saída” (Papa Francisco) na direção do Futuro, na sua maioria ligada às Escolas Missionárias idealizadas pelo grande mestre Comblin para a formação de leigas e leigos da classe popular, sobretudo gente ligada à agricultura. Do Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia e até da Prelazia de São Félix do Araguaia no Mato Grosso.

 

Durante três dias, da sexta ao domingo, incluindo chegada e saída, vivemos uma grande celebração de fé completamente enraizada na vida do povo, moldura de uma convivência amorosa, criativa e organizada. Para isso, a preparação durou mais de dois anos. É assim que, como povo, vamos aprendendo a nos organizar. Sem dúvida, grande é nossa capacidade de improvisar, somos um povo culturalmente rico e tremendamente inteligente, mas projetos de longo respiro exigem largos tempos, paciência, tenacidade, organização, o que supõe sempre preparação e avaliação. Que lição para todas e todos nós: mais de dois anos de preparação para três dias de realização! Que bonito, tivemos a ajuda, no escondido mas precioso trabalho de cozinha e refeitório, de irmãos e irmãs do Movimento de Encontro de Casais com Cristo, sinal de que Igreja é uma ampla comunhão de amor que se mostra no serviço!

 

Em ligação com bonitas e participativas celebrações e refeições em comum, tivemos um momento particularmente alto e proveitoso. Foi no dia do sábado, quando nos reunimos em seis “rodas de conversa”, grupos temáticos, para estudar e partilhar nossas experiências e reflexões. Eram todos temas diferentes e complementares, que nos deviam levar a alguns compromissos de vida. Cada grupo se reunia sob o nome de um patrono: Padre Ibiapina, Papa Francisco, Dom José Maria Pires, Dom Marcelo Carvalheira, Padre Comblin, Dom Pedro Casaldáliga, “heróis da fé”, também aclamados como “confessores da fé”. Na Romaria tínhamos algumas mulheres como “homenageadas” ao lado de alguns homens, elas e eles grandemente admirados por nós: Irmã Genoveva, irmã do povo Tapirapé (Mt); Maria Milza Fonseca, a “Santinha” de Alagoas (Itaberaba), uma vida dedicada aos pobres e vítimas de enfermidades; Nhá Chica, mineira de Baependi, filha de ex-escrava, vidente, vida entregue à oração e ao aconselhamento ao povo. Mas nos plenários de estudo todos os patronos eram homens. Quem sabe, fica a sugestão para a próxima vez... “Homenageados”, “homenageadas” e “Patronos” são figuras luminosas, quais estrelas a nos guiar pelas veredas da caminhada com sua inapagável claridade: eram “homenageados” também João Pedro Teixeira, homem de fé, das Ligas Camponesas; Irmão Ignácio, beato companheiro do Padre Ibiapina, Padre Cristiano Muffler, alemão dedicado ao povo pobre da Paraíba.

 

A “religião” (orações, cânticos, celebrações, gestos, candelas e lanternas, cores, flores, cartazes, poemas e danças...) era a linguagem que nos reunia, a única possível para ajudar a balbuciar o Nome do Mistério divino, fonte da Vida, que nos habita no mais íntimo de nós. Era a “linguagem”, nosso instrumento de comunicação, o jeito de dizer o Indizível. Mas o conteúdo que queríamos expressar, mediante a linguagem religiosa, era a FÉ. E o que é a Fé? Deus nos revela Sua Palavra em nossa vida; desmascara, assim, “a mentira do mundo”; revela a Realidade, sem máscaras; anuncia pela Profecia que o futuro pode ser diferente, e nos chama a seguir pelo caminho de Jesus. Fé é o caminho do seguimento. Seguir Jesus pelo Caminho (cf. Jo 14, 6), que é Verdade e Vida, é lutar para fazer deste mundo realmente nossa Casa Comum, onde habitemos com Deus entre nós e sejamos, todos e todas, como um único povo feito de todos os povos. É justamente aquilo que várias pessoas carregavam gravado em suas camisas: “Ter fé não é prestar culto a Jesus, mas seguir em Seu caminho e perseverar” (Padre Comblin). É assim que a Fé se faz fundamento de nossa vida, fundamento firme (“fides”), que merece confiança (“fiducia”) e por isso nos garante na fidelidade (“fidelitas”). Eu costumo dizer a mesma coisa desta maneira: “Não basta gostar de Deus (ser pessoa religiosa, rezar muito, ser pessoa piedosa...), é preciso, na verdade, tornar-se semelhante a Deus, como Jesus o foi”.

 

Uma das mais fortes impressões da Romaria foi sentir como nosso povo pobre (e infelizmente tão desprezado e diminuído) é inteligente e capaz. O plenário dos grupos de estudo revelou o quanto sabe a partir da experiência da vida e como tem lucidez para formular ideias e comunicar sentimentos e sonhos. Fiquei fortemente tocado: no final de nosso grupo, onde refletimos e conversamos sobre “Igreja em saída”, um homem negro, com grande dignidade se ofereceu para ler um poema no qual retomava todo o conteúdo de nossa longa conversa coletiva. O mesmo se deu na “noite cultural”, quando uma senhora, por sinal também ela negra, nos trouxe outro poema que resumia o que estávamos a vivenciar na Romaria. Que maravilha! Sem falar dos cânticos, alguns dos quais tinham ali os seus autores e autoras, e das danças, como por exemplo, de um grupo de mulheres e suas crianças de um Quilombo próximo, que se apresentaram com grande dignidade, de vozes, cores e brilho no elegante e vivo colorido das vestes...

 

É assim, é diferente do que dizia o filósofo francês Descartes, no começo da era moderna. Afirmava: “Penso, logo existo”. Para ele, o centro para perceber a existência no mundo é o pensar, por isso foi chamado de “idealista”, porque via o comando da vida nas ideias. Na cultura popular, em vez, o mote é diferente, seria formulado de outro modo: “Sinto, logo existo”. É pelo eixo do sentimento que se encontram no ser humano o pensamento e o corpo. Não é que o povo não pense ou não reflita até com profundidade. Antes, reflete e com muita intensidade, só que seu pensamento não é “idealista” ou puramente abstrato, feito só de ideias. Seu pensar passa pelos olhos, ouvidos e cheiros, pelas mãos e pelos pés. Suas raízes estão afundadas na terra, seu pensar passa também pelo coração. O povo aprende enquanto faz, reflete enquanto caminha, pensa enquanto sente... Temos ainda muito a aprender para, assim, propor adequadamente processos de educação e de organização popular.

 

Alguém que chegasse de fora talvez estranhasse como uma romaria, um evento religioso, insistisse em chamar a atenção para a situação de vida do povo, sempre prejudicado pela opressão dos grandes deste mundo. O que isso tem a ver com religião? Não parece muito mais um encontro “político”? Quem sabe, a pessoas que pensam assim poderíamos lembrar o que foi dito antes: a “religião” é nossa linguagem para expressar a “fé”, e a fé é nosso compromisso de vida com Deus e Sua Palavra. A fé é nosso “conteúdo” e diz respeito a todas as dimensões da vida, desde a Economia até a Política e os valores que nos guiam (Cultura e Religião). Em tudo encontramos Deus e acolhemos a missão que nos entrega de “fazer novas todas as coisas”.

 

Lembro-me de que, aos 17 anos de idade, assumi minha identidade cristã e percebi com clareza que Cristianismo equivale a viver três dimensões: a oração, a comunidade e a política. Pela oração, mais do que honrar a Deus, buscamos assimilar Sua vontade, como vemos na experiência de Jesus, conforme nos contam os evangelhos. Purificamos e dilatamos o coração para que os critérios do Evangelho nos guiem em nossos valores e em nossas relações e ações. A comunidade nos liberta do individualismo, nos provoca ao diálogo e ao perdão, amplia nosso ser para além de nossas pessoas, abrindo-nos às dimensões da existência coletiva, amorosa e solidária. Finalmente, a comunidade transborda para além do espaço das relações interpessoais e de grupo, e se projeta no horizonte da sociedade mais ampla, alcançando assim a dimensão estrutural da convivência humana, na organização da Ecologia-Economia, na regulação dos vínculos sociais (de família, de profissão, de classe, por exemplo), e no que diz respeito a relações e estruturas de Poder (Política), além dos valores da Cultura e da Religião, que orientam e justificam nosso agir enquanto pessoas e coletividade.

 

Não basta que sejamos pessoas que buscam a Deus (oração) e que procuram viver positivas relações interpessoais e de grupo (comunidade). Se for assim, fechamo-nos em grupos de amigos(as) e a Igreja se torna uma espécie de clube religioso. É preciso que a organização da sociedade manifeste, nas estruturas econômicas, sociais, políticas e culturais, uma solidariedade encarnada e concretizada na vida coletiva de tal forma a ter a força de condicionar positivamente as pessoas, suas relações e seus valores de vida. Na verdade, todas as esferas da vida humana, pessoal, comunitária e societária, estão sob a soberania de Deus, Criador de todo o universo e promovedor de Seu Reino (não é por acaso que a Bíblia usa, para falar de nossa relação com Deus, esta categoria eminentemente política: “Reino de Deus”).

 

A celebração final foi momento de grande participação e beleza. Era de fato o ponto culminante de toda a Romaria. Celebramos a memória e a presença de Jesus e a de nosso povo: indígena, negro, da roça e da cidade. Os cânticos expressavam nossa alegria e nossos compromissos de levar adiante a caminhada. Respirávamos com intensidade a ligação entre céu e terra, nossos patronos, os homenageados e homenageadas estavam conosco, vivos e vivas em Deus e presentes. Sua memória continua a ser para nós chamado a sermos ainda mais fiéis. Para nós não há morte, só ressurreição. Mesmo que se tenha de passar pela Cruz. Aliás, a leitura do Evangelho nos provocou a meditar sobre o significado da cruz em nossa vida. Foi proclamado o Evangelho segundo São João, capítulo terceiro (3, 14-21).

 

Dom Luis Cappio, Bispo da Barra, na Bahia, muito conhecido como defensor do Rio São Francisco e dos pobres que habitam suas margens, com sua autoridade de profeta, nos ajudou na meditação da Bíblia. No deserto, o povo murmurava contra as dificuldades da caminhada. Moisés levantou a serpente de bronze como sinal da futura salvação que nos viria de Jesus “levantado” na cruz (cf. Nu 21, 4-9). Também nós estávamos desgarrados, “seguindo o modo de pensar deste mundo e debaixo da obediência a quem domina” nossas vidas e nos deixa sem direção, mas “agora, junto com Cristo e em conjunto, já estamos ressuscitados(as) e nosso assento já está nos céus” (cf. Ef 2, 1-7).

 

Dom Sebastião Armando, bispo anglicano, chamou nossa atenção a se concentrar no sentido da Cruz. É comum que se invoque a cruz como motivo de consolo e de resignação: “Jesus sofreu, também temos que carregar com paciência a nossa cruz”, e assim não nos levantamos contra a opressão dos poderosos, como se fosse Deus a nos impor o fardo. Ao contrário, Jesus é “levantado da terra” para que se dê um julgamento, “a luz veio ao mundo, mas os seres humanos preferiram as trevas à luz, (...) quem pratica o mal odeia a luz e não vem para a luz para que suas obras não sejam demonstradas como culpáveis. Mas quem pratica a verdade vem para a luz para que se manifeste que suas obras são feitas em Deus”. Jesus, “levantado da terra” na cruz, é a luz que provoca um julgamento. A cruz não é apelo à resignação e a ceder à fraqueza e ao fácil consolo. Mas, ao contrário, é um julgamento de Deus que revela as obras de quem está do lado de Deus e desmascara quem está contra Deus.

 

O Apóstolo São Paulo nos ajuda a compreender isto na 1Cor 1-2. Aí nos diz que há oposição entre “sabedoria que é só palavra (1,17) sabedoria produzida pelos “escribas (intelectuais) deste mundo” (cf. 1, 19-20) para justificar o sistema dominante, e “a palavra da Cruz” que é justamente Jesus crucificado (cf. 1, 18). “Os escribas deste mundo” produzem uma palavra falsa que busca iludir o povo, trata-se de “ideologia”, palavra mentirosa que pretende justificar as coisas como são na organização da sociedade (pensemos no que faz a propaganda dos meios de comunicação social...), fazem questão de ser vistos como tendo “sabedoria e poder”, enquanto iludem com a mentira (cf. 1, 20-25). Na cruz, ao contrário, trata-se de um fato da realidade do dia a dia do povo, a opressão e a morte (cf. 1, 26-31). Os poderosos se iludem com seu dinheiro, com o poder e seus privilégios de riqueza. Mas quem tem de verdade a sabedoria é o povo pobre, pois aí as pessoas lidam com a vida quotidiana em sua realidade nua e crua, conhecem a vida por dentro. Além disso, têm o verdadeiro poder, pois são os pobres que têm a força de carregar o mundo nas costas (cf. 2, 1-5). Alguém dizia: “Os ricos não podem comer notas de banco; nós os pobres é que trabalhamos e produzimos para eles comerem”. Com os pobres é que se acha a força para carregar o peso do mundo, como são os fracos? Ao permitir que Seu Filho fosse morto na cruz, Deus mostrou claramente de que lado está: Ele é solidário com quem é sacrificado neste mundo. Não está do lado dos poderosos, mas dos pobres (cf. 2, 8-10).

 

Só que a “ideologia” dos “escribas deste mundo” pretende convencer o povo de que ele é que é fraco e sem poder e ainda trabalham para provocar treva e desunião entre os pobres, para que se deixem enganar por suas mentiras e ilusões. Há tanto pobre com cabeça de rico! Ora, isso impede que os pobres se unam e se organizem e, assim, mostrem sua sabedoria e seu poder. É disto que se queixa o Apóstolo em relação à comunidade de Corinto que se acha desunida. O Apóstolo Paulo chega a dizer que “a sabedoria e o poder de Deus estão nos pobres”, quer dizer, eles é que são os verdadeiros sábios e os verdadeiros poderosos. Só que muitas vezes não sabem disso e se convencem de que são ignorantes e fracos, o que dá falsamente razão à mentira dos grandes. Temos de fazer um processo de esclarecimento de nossas mentes para perceber finalmente que o Espírito de Deus, que se revela na comunidade, nos esclarece e desmascara a mentira do mundo (cf. 2, 10-16).

 

O grande educador Paulo Freire, tão perseguido pela Ditadura, dizia que o “opressor está introjetado no oprimido”, está dentro de nós, muitas vezes manda em nós de dentro e pretende oprimir irmãs e irmãos. Suas mentiras entram em nós e nos contaminam e até nos convencem e os seguimos. Por isso, os pobres ficam a imaginar que sábios e fortes são os opressores, quando, na verdade, diz o Apóstolo que a força e a sabedoria de Deus estão no povo (cf. 1, 24-25; 1, 26-31). Como mudar essa situação? Como convencer o povo de que é nele que está a sabedoria e a força de Deus? O meio para isto é o trabalho de evangelização. O que Paulo Freire chamava de “conscientização” é o que nós chamamos de “evangelização”. É o conhecimento de Jesus na comunidade que nos revela realmente a Palavra do Evangelho e desmascara a mentira do sistema do mundo, desmoralizando assim os poderosos e “príncipes deste mundo” (cf. 2, 8). A condenação à morte e o assassinato de Jesus na cruz, como um escravo bandido e indesejável, nos revela que Deus toma o partido dos oprimidos e condenados deste mundo, não o partido dos dominadores, mas das vítimas, Seu Filho morre como uma delas. “Evangelizar” não é primeiramente ensinar doutrinas religiosas, mas ajudar o povo a se conscientizar de sua verdadeira realidade, da mentira dos poderosos que nos iludem e dividem, e de que o único caminho de vitória é nossa organização. Nossa fé verdadeira em Jesus nos revela nossa realidade sem máscaras.

 

Esta foi a segunda romaria das escolas missionárias. Foi anunciado que a preparação já está começando para a terceira romaria daqui a cinco anos. Sem dúvida, com cinco anos pela frente chegaremos a Santa Fé com muito mais força de fé, com muito mais consciência de que “em nós estão a força e a sabedoria de Deus” e com muito mais organização para resistir à opressão e à alienação que nos são impostas pelos opressores do povo, “para que a Palavra da Cruz não se torne inútil, pois é loucura para quem se perde, mas para quem se salva, para nós, é poder de Deus” (1Cor 1, 17-18).