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Foi neste contexto tranqüilo, fraterno e cheio de Deus que Pe. José começou a escrever esta preciosa obra que agora temos a alegria de apresentar. Presumo que tenha assumido em escrevê-la como se fosse seu testamento espiritual, o resumo de todos os seus escritos em vida, sua maneira de pensar, de acreditar, de amar a Deus e a seus semelhantes. Sua forma de ser Igreja e de dizer ao mundo o conteúdo de tudo o que lhe deu razão de viver, ser cristão, sacerdote, teólogo, missionário e profeta do Senhor.

 

 

Do nascer ao por do sol lá estava em seu computador escrevendo, com uma porção de livros abertos ao seu redor para consultas, indo e voltando nas linhas e parágrafos, costurando ideias, reformulando conceitos, descobrindo novas luzes. Sempre empolgado com Jesus e seu santo modo de agir, sempre irado com tudo o que a história construiu em contradição com a fonte em que sempre bebeu – a do Evangelho.”

Frei Luiz Flávio Cappio, bispo de Barra (onde padre José Comblin passou os dois últimos anos de sua vida e escreveu a maior parte do seu último livro)na Apresentação do livro.

 

O objeto do seu derradeiro escrito não é um tema novo. Pelo contrário, ao longo de seus escritos, assim como em diversas conferencias posteriormente transcritas, ele abordava de uma forma ou de outra os temas que agora apresenta de forma mais incisiva, na perspectiva da fidelidade à tradição de Jesus.

José Comblin parte da constatação da necessidade de elaborar uma nova Teologia e chega ao essencial que é a transmissão da verdadeira Tradição de Jesus pela ação do Espírito Santo na sua Igreja, conforme a sucessão dos títulos que foi dando às distintas redações.

É preciso voltar a Jesus, ao Evangelho. Deixar de lado tudo o que foi acrescentado. É preciso voltar a ser livre. Livres para seguir Jesus Cristo, e não os seguidores de Jesus e o que a Igreja construiu em torno de Jesus. E será tarefa do Espírito interpretar ou atualizar para cada época e cada situação a mensagem e os atos de Jesus, inspirar o agir, o ensinar e o transmitir para cada tempo”.

Monica Maria Muggler, na Introdução ao livro

 

Como todos os teólogos da minha geração a minha preocupação foi como traduzir o evangelho para os nossos contemporâneos de tal modo que o possam compreender. Evidentemente são inumeráveis os que se afastaram da Igreja porque esta não foi capaz de traduzir a mensagem numa língua compreensível. Não creio que esta geração à qual pertenço possa achar a solução. Pode ser que ainda a Igreja tenha que esperar várias gerações. ... Mas o problema não é a maneira de dizer, o problema é de fundo. O que se diz não se entende porque é dito numa cultura que já é minoritária e que a grande maioria dos contemporâneos não entende, salvo os historiadores. Se o problema é sumamente difícil, isso não nos dispensa o dever de buscar.

Cresce o sentimento de que somente se pode evangelizar voltando às raízes com a convicção de que a história acumulou muita poeira e muitas construções inúteis, que os discursos acumulados escondem a mensagem do evangelho e que o primeiro dever é o dever de redescobrir o que é realmente a novidade do evangelho e como essa novidade vale em todos os tempos.

Para poder evangelizar os nossos contemporâneos de todos os países do mundo e de todas as culturas precisamos partir da distinção entre fé e religião. Pois, o evangelho de Jesus pede a fé, mas não pede uma religião.”

José Comblin, na sua Introdução à 3ª redação