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Genildo Firmino Santana

Pois é, Deus! A não se mudar o rumo que tudo está tomando em todos os segmentos, aparatos, em todas instituições sociais, em tuas ditas igrejas e religiões, na alma dos que se proclamem teus filhos, só vejo uma saída: Dar-te um Adeus.

Os teus te traem em nome do vil metal em nome dos cargos e do poder de perseguir os que não se coadunam com suas necropolíticas. Há, entre teus traidores, os que se vangloriam de matar em teu nome. Isso tudo no seio dos ditos seguidores de teu filho, que ao mundo foi dado para redimir seus pecados. Mas os pecados são muitos e se estendem mais ainda. São tantos e tamanhos os pecados que talvez precise de outro Filho para remí-los.

Adeus, Deus!

O cristianismo – ou boa parte dele – já te disse Adeus há muito tempo. Quando perseguiu terreiros e preconceituou negros escravizados. Quando se afastou de teus ideais e interpretou, ao bel prazer de cada um, tuas vontades. Igrejas cheias, vazias de amor, e, por conseguinte, vazias de ti. Quando deixou de fazer religião para fazer política – e política da morte. Quando se apropriou do erário público para enriquecer falsos pastores de verdadeiros rebanhos. Quando nefastamente não te levou a sério e brincou de religião (como tem gente que brinca de política, e isso é tão nefasto quanto).

Adeus, Deus!

Podia ser um até mais tarde, inté já, até logo, mas não! É um Adeus mesmo. Hoje, quando os teus filhos falam em ti, já começamos a temer. Já pomos a barba de molho (até os que barbas não têm). Isso porque boa parte deles perdeu a credibilidade de falar em teu nome. E essa boa parte está em todas as igrejas. Na boca deles, viraste um perigo. Nossa história comprova o que te digo.

O que se passou? Tiraste férias da nação tupiniquim? Ou nos abandonaste? Custo a crer nas duas hipóteses. Não tiras férias, nem tampouco nos abandonas. Nós é que, cansados do teu amor, que pede sacrifícios imensos, queremos tirar férias de ti ou te abandonar.

E abandonamos!

Abandonamos na escravidão do povo africano, na Ditadura, na fome de milhões para enriquecer uns poucos.

Procuras outra pátria, por enquanto. Por enquanto, o Brasil não é teu. Vamos ver se teus filhos mais fiéis dão uma reviravolta nessa situação. Notamos que só rezar em alta voz ou, em voz mais alta ainda, pronunciar teu nome – na maioria das vezes, em vão – é em vão. Não resolve. Gente rezando e te conduzindo nos lábios é o que mais há. Sabemos que precisamos praticar o que oramos.

Esquecemos os profetas? Quem sabe a profecia seja uma luz que nos ilumine o caminho. A profecia que “diz o que precisa ser dito e não o que o Rei quer ouvir.” A profecia que te anuncia e ao teu Reino, mas também denuncia o anti- Reino e suas forças, sejam elas históricas, políticas, culturais, sociais, econômicas e...religiosas. sim! Há germes de anti-Reino entre os que se dizem teus seguidores, em muitas igrejas que se dizem tuas. Cuidado! São cobras que são criadas em casa para depois expelirem venenos. Veneram dois senhores e, se assim o fazem, uma das venerações é falsa...já imaginas, qual é, não é?

Adeus, Deus!

Dói dizer isso, ter essa atitude. Mas a não se mudar o rumo das coisas, é só o que resta a dizer-te. Não encontrarás morada em nossas terras ressequidas de amor, pois, como disse um frade há muito tempo – Bartolomeu de Las Casas – “não há pecado debaixo do Equador.” E nós estamos bem embaixo dessa linha. E por aqui, perdeu-se a noção de pecado.

Tudo foi normalizado: abençoar armas em igrejas, usar teu nome para perseguir outros, roubar em teu nome com tua palavra debaixo do braço, incitar ódio em almas puras. Queres mais? Matar índios, queimar a natureza (que diria Espinoza que te identificou a ela, hem?).

Mas de coração, aqui pra nós, com toda intimidade que permites que tenhamos: há uma boa parte de nós que não te dirá Adeus. Podes crer em nós, como cremos em ti (se não for blasfemar dizendo isso!).

É que um Adeus dói, principalmente se for um Adeus a Deus.